
Ela sentia falta. Sentia falta dos abraços, dos beijos, do andar de mãos dadas. Sentia falta dos olhares, dos sorrisos e das risadas. Sentia falta da forma como ele dançava sem música com ela, da forma como andava, de como falava. Sentia falta das conversas sobre nada em especial e das borboletas a qualquer som parecido com o que seria sua voz. Os segredos partilhados em tardes juntos, os riscos corridos para encontros escondidos. Tinha saudades da forma como eles se entendiam, mesmo que brigassem e também dos dramas infinitos que os dois faziam por aparentemente não muito. Saudades de querer apenas estar junto. Mas descobrira que para ele nada daquilo havia existido. Ela vivera algo que nunca existiu reciprocamente, ela amara alguém que jamais a amou. E assim continuaria. O aperto dos abraços, o gosto dos beijos e a segurança do andar, nada disso acontecera. Os olhares trocados, os sorrisos rascunhados, as risadas ecoadas, estavam apenas em sua mente. As danças usadas como desculpa para aproximar-se, o ritmo de seus passos e o seu jeito descuidado com as palavras, eram invenção de sua mente. Não haviam tido conversa alguma, nem havia timbre parecido com a voz dele. Os segredos eram mera criação de sua imaginação e os riscos só exisitram para ela. As brigas com propósito de fazer as pazes ou ainda o indentificar-se com a troca de olhares, nada disso. Os choros durante dramas começados por bobagens que aparentemente os divertiam depois que passavam, não haviam divertido outra pessoa se não ela. O estar junto, tinha sido uma ilusão. Ele fora, antes de chegar e fez questão de contar a ela que nada daquilo existiu pra ele, embora tudo tivesse acontecido. Deixou a menina no chão, aos prantos, por dias, como jamais fizera com outra. O que ele não sabia é que deixara ali, desconsolada, o amor da sua vida e que este amor (não) voltaria, se não em seus sonhos.

alguns amores simplesmente não voltam. E no fim das contas é melhor pra todo mundo... adorei o texto, isa
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