
Os dentes tricados, as mãos suavam, o coração disparava, os olhos encaravam-na, com a maior profundidade possível. Jamais tinha sentido isso antes. Repassou esse momento, milhares de vezes. Passou horas em frente ao espelho, olhando para si, não olhando para nada, olhando ao redor. Perdia-se em pensamentos, eventualmente pego por um romântico, outras vezes por um apreensivo. Mas não achou que seria tão dificil. Afinal, a peça estava ensaiada, havia um script, criado por ele, em uma cena de sua criação. Ele tinha planejado encontrá-la. Engoliu seco. Não havia som significativo o suficiente, então não conseguia dizer nada. Ela observava seu rosto e sorria. Aquele sorriso com o qual tinha sonhado, estava ali, a sua frente. E ele não conseguia dizer nada. Sua voz se fora. Os olhos da moça brilhavam, ela também estava estática. A respiração descompassou, embora não houvesse motivo algum pra isso. Percebeu que não conseguiria falar. Ele não sabia o que dizer. Era melhor que nos sonhos, melhor que nos ensaios. Era real. Era ela, a sua frente. Deu um passo em sua direção e a deixou, assim, inquieta. Parou. Teve medo de que ela fosse embora. Então estendeu a mão. Estendeu junto a ela seu coração, como se implorasse a bela dama que, dali pra frente, ficasse com ele, que cuidasse dele. Dessa vez, foi ele quem sorriu. Ele não conhecia aquele sorriso. Era encorajador, gentil, meigo, acolhedor... Apaixonado! No momento em que seus corpos se tocaram, ele a puxou para si. Tinha aguardado esse momento por toda vida. Lhe faltou ar. As palavras não eram necessárias, mas uma frase formou-se em sua mente com o doce gosto de seus lábios. Demorou no beijo. Olhou-a nos olhos e disse tudo que conseguia dizer: Eu te amo, como jamais achei que pudesse.



