sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Ele se foi.


E ele se foi. Antes que eu pudesse vê-lo chegar. Não ouve barulho, nem foi como nos filmes que eu via. Nada de branco ao meu redor, tudo cinza e molhado. E então o sol, me cegou. E, de novo, passou rápido demais. Não é como se eu me importasse. Nunca gostei muito dele, de qualquer forma. Mas era estranho, embora as horas parecessem se arrastar, embora eu não estivesse exatamente aonde queria estar, ainda assim, ele passara sem que eu pudesse ao menos reclamar. Alguns costumes esquecidos, outros apenas fingidos. Poucos deles se mantinham. De novo, acabara. Não havia neve, não havia sinos, nada. Apenas a lembrança de luzes piscando ou de árvores gigantes completamente enfeitadas. Papai Noel veio, mas nem ao menos fazia hohoho. Eu senti falta das tradições, dos olhos de crianças brilhando e até mesmo da briga pelo melhor presente, eu diria. Queria voltar e comer o dobro porque agora tinha acabado. Dia 25 tinha passado e eu teria que esperar mais um ano para falar: É Natal.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Quarto escuro.


Eu a ouvi chamar de novo. Mas não havia ninguém atrás de mim. Perdia o fôlego em meio aos meus ataques cada vez mais comuns. A voz, de novo. Ela sussurrava, como se quisesse que só eu a ouvisse: Corra. A voz ainda me assustava. E então outra delas, um pouco mais grossa que a primeira: Não olhe para trás. Eu queria gritar, queria me jogar no chão e ficar ali, encolhida, esperando que elas fossem embora. Era sempre assim. Eu vi um vulto passar por mim. E uma nova voz, celestial: Não os obedeça. Levei as mãos a cabeça, e rezei. Agora eram muitas delas, me pedindo coisas, me dizendo coisas, mandando em mim, me contando segredos. Eu já não entendia mais nada. Cai no chão, eu tremia e gritava. Chorava, mas não saia lágrima alguma. Os vultos. Eram milhares. Alguns desesperados demais, outros incomumente tranquilos, ainda haviam aqueles apenas distraidos. Meu grito desesperado e continuo não era provavelmente ouvido por muitos. A altura das vozes aumentava, os vultos se aproximavam e eu podia quase reconhecer cada um deles, mas estava perdida em meus próprios pensamentos, a beira de um ataque de nervos, em meio a um ataque de esquizofrenia. Mais um de meus delírios.

De repente, tudo silenciou. Não haviam vozes. Não haviam vultos. Nada. Apenas eu, um quarto escuro e todo o desespero, agora escondendo-se aos poucos, de que tudo começasse de novo. E começaria.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Baile de (Más)caras


Antes de começar, peço-lhe que me faça um favor: olhe-se no espelho, agora.

Levante-se, vá até o espelho mais próximo e observe a imagem refletida. Cada detalhe, as minuciosidades, olhe além do que pode ver. Tente enxergar o seu próprio eu, sua alma, o que tu és e insiste em não deixar solto, insiste em esconder, insiste em deixar de lado por tantas vezes.

Saiba, tu não estás só.

Andando pelas ruas não pude deixar de notar as pessoas que passavam ao meu redor. Eu, com minha mania de observar demais a todos, comecei a perceber que as pessoas com as quais eu convivia, não os amigos, apenas aqueles com os quais eu tinha que me encontrar, não são o que parecem ser. E fazem isso de propósito. É quase como acordar todo dia de manhã, preparando-se para uma atuação. Onde são apenas coadjuvantes, embora acreditem ter o papel principal. No fundo, todos somos um pouco assim. Mas as pessoas estão se perdendo em seus personagens, perdendo a essência do que valhe a pena na vida, perdendo os sorrisos verdadeiros, os amores mais sinceros. E fazem isso sem perceber.

Digam o que quiserem, estas pessoas não sabem o caminho que escolheram para si. Embora insistam que fingir é melhor do que ser real. Nossa história não era pra ser supostamente tão nossa quanto nossos próprios corações? Assim como se decidimos dividir nossos corações, nossas vidas são automaticamente dividas, deveria ser assim com sorrisos, olhares, abraços. Já não sabem o que é o personagem e o que é o verdadeiro eu.

Continuam ostentando um sorriso frio porque alguém lhes disse que gargalhar provoca rugas. Danem-se as rugas! Se não puderes rir, o que farás então da vida? Balançam as cabeças dizendo sim quando queriam gritar não em alto e bom som. Porque alguém lhes disse que é assim que deve ser. Dane-se o sim! Se não puderes expor sua opinião, quem o fará por ti?

Assim como em um teatro, começam a funcionar como marionetes do sistema, sem saber que estar fora dele pode ser infinitamente mais prazeroso. Escolhem não escrever sua própria história, e todos acham isso normal.

A máscara que vestem, de hipocrisia, falsidade e frieza, embora insistam em negar, começa a impregnar na pele. As personagens tornam-se o que eles são, e separar o que está dentro de si do que aparentam ser, acaba por ser impossível. São coadjuvantes, por fim, de seu próprio espetáculo e, ainda assim, esperam os aplausos de um protagonista.

Olhe-se novamente no espelho. Se tudo que conseguir enxergar for a sua máscara, insista em seu reflexo até que consigas enxergar aquilo que és. Arranque-a de si e amanhã acorde pronto para, finalmente, ser o protagonista do mais fantástico espetáculo jamais escrito: a sua própria história.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Até onde?


Talvez seja mais do que chegada a hora de nos entregarmos ao destino e parar de lutar contra o que ele nos reserva. Talvez ter medo não nos leve a lugar nenhum, no final das contas. O medo é paralisador, nos faz reavaliar nossos impulsos. E eu, sinceramente, nunca achei que reconsiderar escolhas é a melhor opção. Quer dizer, quem pode viver sem arriscar? Acordar todos os dias e ter as horas planejadas como em um filme onde é preciso seguir um roteiro para que tudo dê certo... A vida é composta de erros, de acertos, alegrias e tristezas. Não há como prever o que há depois da curva, ou que caminho as águas das nossas corredeiras vão seguir. É inútil e desgastante tentar evitar que sejam feitas opções incorretas. Sem elas, os acertos não teriam o mesmo gosto. Assim como acredito que sem as infelicidades, as alegrias não seriam tão fantásticas quanto são. A verdade é que sempre haverão dúvidas a serem carregadas, mistérios a serem desvendados e medos a serem enfrentados. Mas esta é a história que construímos, que nos comprometemos em seguir. Na maioria das vezes sem sentido algum, mas sempre tão nossa quanto nós mesmos. A vida.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Não era como as outras.


Estava quente, de novo. Mais quente do que em todas as outras noites desde que aquele inferno começara. Ela vinha tentando descansar, sem querer de fato dormir, desde que ele adormecera ao seu lado. Ela fechava os olhos, mas tinha medo de acordar do que parecia ser um sonho. Acordara umas três ou quatro vezes naquela noite para certificar-se de que estava de fato em seus braços, onde ela queria estar. As roupas de ambos estavam pelo chão e ela brincava com seus dedos pela mão dele. Não, não queria levantar. Insistiu no sono, mas ele não vinha. No entanto, ela sabia que não era pelo calor, embora fosse culpá-lo caso ele a perguntasse.

Ele a abraçava de uma forma que ninguém mais fazia. Era estranho o quanto a fazia se sentir segura, mesmo que na maior parte do tempo só a colocasse em perigo. Ela riu para si e tornou a fechar os olhos. Mesmo que tentasse, como em várias outras noites, secretamente sonhava com ele. E dessa vez, o sonho era real. O cheiro de seu perfume insistia em prender-se em seu curto cabelo, nunca a deixando de fato livre da proximidade agora infinitamente maior do que nunca. Olhou-o dormindo, pelo que seria a ultima vez naquela noite.

Ela deve ter adormecido. Acordou com o sol a penetrar pelas cortinas do quarto dele. Preguiçosamente se mexeu, por um instante havia esquecido de onde estava. Beijou-o nos lábios delicadamente, com medo de acordá-lo. O tão habitual gosto de cigarros até nesta manhã era diferente. Levantou-se em busca de alguma consciência e isso o fez despertar. Ele riu ao ve-la no chão e então pediu para que voltasse para a cama. Ela o fez, não estava disposta a discutir.

Mais uma vez entrou em um de seus sonhos, deixando o tempo de lado, deixando que ele deixasse de existir, deixando que ele corresse para os outros e torcendo para que congelasse para eles. Secretamente desejaria a cada despertar daquele verão que esta noite se repetisse. E se repetiria, mesmo que apenas em seus sonhos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aquele que sempre estará.


Rio de janeiro, 4 de novembro de 2009.
Já se passou tanto tempo, e é estranho que eu continue sentindo a sua falta. Em especial durante esta época do ano. Quer dizer, não que nas outras eu não queira você aqui ou não considere o que farias no meu lugar. Mas, em especial nas últimas semanas, você tem vindo a minha memória com uma frequência inexplicável. Fazem já quase seis anos desde que o seu coração parou de bater, embora eu continue a ouvi-lo, bem baixinho, quando preciso de algum consolo. É bem verdade que assim que tu fostes embora eu achei que não conseguiria ficar aqui sem você. Quer dizer, o que seria chegar lá na sua casa e não te encontrar pra gente encher os balões com água e fazer guerras pelo quintal? Eu jamais imaginei que esse momento chegaria, embora soubesse que ele estava próximo. Quando soube, eu não podia acreditar. Não queria que fosse verdade. E talvez tenha sido por isso que demorei tanto tempo a chorar, de verdade, porque tu tinhas partido. Eu ainda acordava e achava que você ia voltar, trazendo qualquer uma daquelas coisas da feira para mim ou que ias arrastar a polly (como você chamava a Ingrid) pelo chão para ela largar a piscina e ir pra escola. Ninguém podia entender o que eu sentia naquele instante, embora fosse verdade que todos sofressem junto comigo, eu não queria acreditar. Fechei os olhos uma, duas, tres vezes... E você continuava sem um sinal de respiração. Aquele foi, sem dúvida, o dia mais triste da minha vida. Eu queria que nunca tivéssemos recebido aquela ligação.
O tempo passou e, na verdade, estou lhe enviando esta carta para que saibas o quanto as coisas mudaram por aqui! Eu estou terminando o ensino médio! Será que dá pra acreditar? E acho que não deveria dizer isso, mas espero que estejas lá me olhando no dia em que for receber meu diploma! Lembras quando me dizias que eu era muito extrovertida? Vou ser jornalista e escritora. Queria aproveitar para lhe pedir desculpas por todas as besteiras que ando fazendo. Mas acho que deves saber que é da idade mesmo. As coisas por aqui estão muito bem... Aliás, queria lhe pedir para tomar conta da mamãe, se é que me entendes.
Acho que, na verdade, eu queria lhe dizer, vô, que eu sempre vou sentir saudades de você, de todas as histórias que contavas, de tudo que eras pra mim. Tu sabes que, embora eu me arrependa até hoje de jamais ter repetido isso o numero de vezes que tu merecias ouvir, eu te amei e sempre vou te amar como a nenhuma outra pessoa no mundo. Tu és tudo que eu quero ser, como um verdadeiro exemplo pra mim e, a você sim, eu devo a minha vida. Não há nada nem ninguém que, em algum tempo, será capaz de apagar-te de minha memória e suas histórias serão repetidas por mim inúmeras vezes, para que meus filhos entendam o quão incrível era o meu avô.
Eu queria um abraço, um beijo. Queria ouvir sua voz e ver o seu sorriso. Eu vou sentir falta disso até o dia em que puder recebe-los de novo. Mas acho que hoje eu posso entender o que é estar longe e ainda assim tão perto porque, embora estejamos separados por uma linha invisível, eu continuo querendo que sempre se orgulhes de mim. Queria ter tido mais tempo de tudo contigo, mas estou aprendendo a conviver com a falta que faz ter você em minha vida, de verdade. Só espero que tenhas ido sabendo, acima de tudo, que eu te amo e que sempre serei a sua pequena bella.
Um beijo, da sua neta.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não há amanhã.


Só quem já perdeu alguém que ama sabe do que eu vou falar hoje. Não é como se a pessoa lhe desse adeus e seguisse sua vida, mas como se fosse arrancada de você, sem chances de despedidas. Um dia você acorda e ela se foi, para nunca mais voltar. E não importam quantas lágrimas saiam de seus olhos, escorram pelo seu rosto e molhem o que antes era sua blusa preferida, você jamais voltará a vê-la sorrir para você. Seus olhos estão fechados e tu insistes em recusar-se a acreditar que ela partiu, sem nem mesmo poder escolher se iria ou não. Em seus sonhos, tu rezas para que ela te visite. Mas nada jamais mudará o fato que ela não está mais aqui. E só de ouvir seu nome forma-se um nó em sua garganta e uma vontade de chorar incontrolável toma conta de ti. Ao mesmo tempo tentas se fazer de forte para não ter que ouvir palavras de consolo, pelo simples fato de que nenhuma delas será de fato capaz de diminuir a dor que sentes. Recusar abraços pelo medo de se render e mostrar o que sentes a qualquer pessoa ao seu redor. Guarda para si cada uma das terríveis sensações por encarar que jamais será abraçado por aquele de quem mais desejaria um abraço.

E depois o tempo passa e a maioria daqueles que tentaram te ajudar se esquecem da sua dor, você a guarda consigo, passa a sentir saudades. Não é como se tivesse se esquecido daquela pessoa que lhe deixou, mas evitas entrar em contato com a falta. E o nome dela passa a ser mencionado apenas quando é indispensável. Se não, fica guardado nas mentes e nos corações. A falta continuará a existir, mas você aprenderá a conviver com ela. E começará a aceitar abraços e a deixar que descubram o quanto você sofreu. Ao se deitar na cama, acordará feliz se sonhar com aquele que não está mais aqui. E perceberás que, talvez, aquelas palavras de conforto, afinal, foram de alguma utilidade, pois elas fizeram suas lágrimas secarem. Aprenderás que não importa quanto tempo passe, as memórias desse alguém continuarão ao seu lado e te ajudarão a escrever sua história. E que, de onde quer que esteja, continuarás buscando um meio de deixá-lo orgulhoso porque, sem ele, hoje você não seria você.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O Reflexo


Eu jamais achei que fossemos chegar a esse ponto. A falsidade nos rodeia e todos insistem em construir os tão famosos muros de hipocrisia de Lulu Santos. E as pessoas prendem-se a bens materias, perdendo a noção de que tudo de mais importante na vida é aquilo que não podemos comprar. Ignoram o verdadeiro caráter em busca de um padrão. Perdem-se em si mesmas, esquecendo o que era pra ser e simplesmente se encaixando.

Depois querem definir sentimentos. Como podem sentir se nem ao menos buscam no espelho encontrar algo que valha a pena? Como se doar sem nem ao menos dar o menor valor ao que se é? Tudo ao redor torna-se uma mentira. Tão bem inventada que passa a ser a verdade da maioria. E se você foge deste caminho para o abismo, és tu o estranho. Por querer entender as pessoas, por procurar entender-se e por saber valorizar sentimentos e alegrias. Não se pode mais querer ser feliz com pessoas ao invés de coisas, estamos sendo proibidos disso.

Pois acho que eu jamais me acostumarei a este circo armado, às hipocrisias e falsidades (embora admita ser um tanto hipócrita) e a banalização de sentimentos que já foram tão mais importantes. Acho que toda vez em que me olho no espelho procuro desembaçar a imagem a minha frente. Confesso não ter sucesso algum, mas ainda assim me divirto nas tentativas de entender as coisas ao meu redor ao invés de ignorá-las. E se digo alguma coisa é meu coração gritando e repetindo, em alto e bom som, o que quer que seja que meus lábios lhe transmitem. Talvez não seja, de fato, preciso que eu me conheça para poder amar ou sentir. Talvez seja apenas necessário que eu saiba o valor de cada uma das coisas e diga cada uma das palavras como se fossem as últimas a serem ditas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Downpour.

Eu senti a primeira gota de chuva acertar a ponta do meu nariz e ri baixinho, na esperança de que ele não percebesse o que estava por vir. Estar na varanda, no meio da noite, podia ter as suas desvantagens com o temporal que se formava. Mas ele logo se mexeu e reclamou que estava ficando molhado. Abriu os olhos preguiçosamente e me sorriu. Como depois de tanto tempo eu ainda não estava acostumada a te-lo por perto? Eu corei. Percebi, pelo seu olhar que ele queria levantar, mas não tinha forças. Eu mexia em seu cabelo há horas, era natural que agora ele não quisesse se mexer. Mas eu não me importava de ficar com as roupas colando em mim, se ele permanecesse me olhando e eu pudesse continuar a admirá-lo. Acho que, talvez, eu fosse um pouco boba.

Nós continuávamos ali, ora de olhos fechados, ora nos olhando, apenas pelo prazer de ler um ao outro, de nos falarmos sem dizer uma palavra sequer. Era verdade que não conhecíamos nem metade do que o outro era ou da história de nossas vidas. Mas, afinal, quem sabe? Eu olhava tudo ao nosso redor molhado e minha blusa estava completamente grudada no meu corpo. Um pensamento engraçado me alcançou e meu riso o fez acordar, dessa vez ele levantou, sem pensar muito e me puxou com ele. Eu não entendi muito bem o motivo, mas ele queria me tirar de casa, agora.

Reclamei e reclamei, mas de nada adiantou. Lá íamos nós para a rua, no meio do temporal. Eu nunca tinha entendido nada do que ele fazia e ainda assim gostava da sua companhia mais do que da de qualquer outro. Fomos até uma loja e ele me mandou esperar do lado de fora. Demorou tempo demais, tempo suficiente para eu estar cansada de esperar quando ele apareceu, sem nada nas mãos. Estava prestes a reclamar, quando ele me levantou no ar e, me segurando em seus braços, como se já sentisse realmente minha falta, me beijou em baixo da chuva. Todos na rua pararam para olhar. Ele sabia, de alguma forma, que eu sempre tinha sonhado com um beijo assim. Ele sabia, de alguma forma, que havia realizado mais um deles.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Desire.


Eu podia sentir a segurança de suas mãos que atravessavam meu corpo, como se conhecessem cada lugar onde tocar para me fazer perder um pouco mais da quase nenhuma consciência que insistia em permanecer ali. Eu queria perdê-la, se ia me doar aquele homem, era justo que perdesse toda minha sanidade.

Ele tocou minha nuca e apertou seu contorno contra o meu, como se quisesse terminar com o espaço que havia entre nós. Não tive tempo de brigar, era incrível o modo como ele era capaz de me fazer querer mais e mais. Mordi seu lábio inferior, com cuidado, como se pedisse para que ele continuasse o que estava fazendo. E ele repetiu. Uni todas as minhas forças para que meus lábios alcançassem os dele e subi minhas mãos pela lateral de seu corpo, ele se arrepiou, perdeu o fôlego. Mas não parou o que insistia em fazer. Suas mãos passeavam pelas minhas costas, como se quisessem desvendar algum segredo. Ele estava mais perto de descobrir o maior deles, maior do que poderia imaginar, do que eu poderia imaginar. Desceu as mãos até a minha cintura e, cuidadosamente, passou os dedos de leve por ali. Eu gemi. Ele sorria maliciosamente, triunfante. E eu perdia o controle de meus movimentos, a aproximação dele era tão ágil e irresistivel que não tinha como pará-lo. Não agora.

Ele fazia tudo da forma mais perfeita possível e eu sentia nossos corpos em sintonia. Não havia mais como diferenciar a fragrância de nossos perfumes, misturados assim como nós, naquela noite quente de outono. De repente, ele parou tudo que fazia e sorriu, pediu que eu abrisse os olhos e eu o fiz. Tudo para que ele começasse, de novo, a me desconcentrar.

Meus seios em suas mãos, seus lábios passeavam por todo o meu corpo. Já não importava que horas eram lá fora, quantas pessoas existiam no mundo. O desejo entre nós era tudo que nos importava. Eu precisava dele, naquele instante, tanto quanto ele precisava de mim. Ele me beijava, como se eu fosse a única para ele. Mas eu não o conhecia o suficiente para saber se era assim. Também não importava. Meus punhos fechavam conforme ele reconhecia os meus pontos fracos, e meus olhos não paravam de se revirar. O tempo corria e o calor de nossos corpos, tão unidos e sem nada a separá-los. Nossas roupas que antes evitavam o toque completo entre eles, estavam agora no chão de seu quarto, espalhadas, fazendo daquela noite a melhor de nossas vidas.
Eu acordei, no dia seguinte, em seus braços, seus dedos passeavam pelas minhas costas e ele sorria, satisfeito por eu estar ali. Ouvia, agora, a chuva indicando que a noite, para a maioria das pessoas tinha sido fria. Sorri para ele, ainda sonolenta e o senti ainda mais perto agora. Peguei a xícara de café que estava ali e dei um longo gole, me sentando para isso. Procurei o maço de seu Camel e acendi um deles. Dei um longo trago. Um amor, dois cafés e outro cigarro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Sem promessas.


Eu revirei minha bolsa em busca de mais um cigarro. Àquela altura eu já estava sentada na calçada e precisava de algo que me esquentasse. Nada melhor do que aquele glamour decadente. Minhas mãos trêmulas não conseguiam encontrar o que eu procurava. Assim como haviam perdido tantas outras coisas naquela mesma noite.

Eu tentava lembrar de tudo que vinha acontencendo desde as cinco da tarde, quando eu comecei a beber. Mas não tinha sucesso algum. Eu lembrava apenas de estar em cima da mesa, dançando, em um instante e no outro nos braços de três ou quatro homens, tentando arrancar minhas roupas. Eu não queria fazer aquilo. Não ali. Chutei uns e outros e sai, precisava respirar. Lembro quando eu fumava mais um de dois maços que já havia fumado aquela noite e eu sabia que já estava acabada, mas, mesmo assim, um loiro veio em minha direção. Lembro que com ele, qualquer lugar era lugar. Eu sentia seu desejo em suas mãos, a apertar minha cintura contra a dele. Uma. Duas. Três vezes. Ele conhecia cada um de meus pontos fracos e eu não tinha forças para brigar com ele. Nem queria fazer. Eu sabia que ele vinha de algum lugar, talvez de mais um de meus sonhos alucinógenos ou mesmo de uma de outras noites. Ele sabia como dizer meu nome, sussurrado, e eu nem havia precisado dizê-lo qual era. Diferentemente dos outros daquela mesma noite, ele não era só mais um com quem eu acordaria. Não chegaria a dormir com ele e isso fazia tudo ainda melhor. De novo, me sentia sufocada e mandei-o seguir para onde quer que fosse. Estava sozinha, por opção.

Finalmente. Achei o que era provavelmente o ultimo deles. E com a habilidade não natural para mim, acendi. Dei uma longa tragada e fechei os olhos, deixando que a fumaça tomasse conta de mim. Um sorriso travesso tomou conta do meu rosto. Embora já houvesse quebrado essa regra tantas outras vezes, era diferente agora. Havia sido diferente desde que o sol havia se posto, na tarde anterior. E agora eu me levantava, sem rumo e isso não importava. Encontrei alguns conhecidos, esbarrei em antigos amores. Mas sabia que queria chegar na praia, embora qualquer coisa naquele momento me distraisse. Eu perdera a conta de quantas doses de tequila eu havia tomado... Cinco ou seis. Fora o whisky e a vodka. De fato, eu não me lembraria de nada. Apenas de que havia sido a melhor noite da minha vida. O cigarro acabou e joguei o que restava no meio fio. Eu senti a brisa vinda do mar bater em meu rosto e o cheiro da maconha trazido por ele me fez lembrar que havia me encontrado com ela, há algumas horas. Eu ri como uma boba e atravessei a rua, sem me importar se vinham carros. Meu vestido já estava completamente sujo e meus sapatos de marca já estavam acabados. Quase fui atropelada por um ou dois carros. Mas eles pararam, para minha sorte. Passei correndo pelos sobreviventes da noite e o sol já apontava no horizonte. Tropecei, mas continuei até sentir as ondas em meus pés. Não pensei duas vezes, entrei no mar e mergulhei. Fiquei lá em baixo por tempo demais.

Eu não acordaria mais, não teria mais nenhum cigarro ao meu alcance. Nada. Mas eu entendia. Aquela noite havia valido toda a minha vida e agora, as cortinas haviam se apagado e o mar me envolvia, como nenhum outro homem jamais fizera antes.

domingo, 27 de setembro de 2009

Um mais um é melhor que dois.


A encruzilhada. Lá estava ela, mais uma vez esperando a minha escolha. Como eu poderia ter certeza de tomar o caminho certo? Me sentei, sem realmente me importar em perder um pouco mais de tempo, afinal, não havia ninguém a me esperar. Ou ao menos assim eu pensava que fosse. A árvore aonde eu me encostara estava carregada de diferentes frutas. Nunca tinha visto uma assim antes. Depois de um tempo à sombra, ouvi passos vindo em minha direção, embora não soubesse a sua origem, mas não abri os olhos. Vai passar direto, eu pensei. Mas não passou. Parou bem a minha frente e ficou a me encarar. Eu não precisava olhar para saber que o fazia.

Depois de um ou dois minutos sentou-se ao meu lado e então eu ouvi a sua voz. Era conhecida. Não está na hora de você escolher um caminho? Embora eu achasse que poderia ignorá-lo, resolvi não fazer. A voz era simpática. Na verdade, acho que posso ficar aqui. Não era como se alguém fosse sentir minha falta, no futuro. Ele riu, como se soubesse exatamente do que se tratava. E então me beijou os lábios. Tive que abrir os olhos para conferir quem era. Ele me sorria, e disse do jeito que só ele sabia fazer. Deixa eu te levar, por favor? E como eu recusaria? Me levantei e esperei que ele escolhesse, mas não o fez. Deixou que eu escolhesse, mas ficou, todo o tempo, parado ao meu lado, esperando que decidisse. Vai me levar para o mau caminho agora? Essa deveria ser a ideia dele porque ele riu, mas nada fez. Ele depois admitiu que aquele era a escolha dele, com ou sem mim. Isso, de fato, me preocupava. Não sabia se era o caminho certo, mas, sem dúvida, seria divertido descobrir.

Ele me beijou novamente e me fez sorrir como uma boba, mas ele não sabia que podia fazer isso, então escondi. As estrelas brilhavam no céu que estava lotado delas. Devemos estar longe da cidade, eu pensei. A manhã nos alcançava e caminhávamos em direção ao que não sabíamos. Ou pelo menos era assim para mim, ele parecia saber demais. Até mesmo saber que eu faria aquela escolha e que seguiria com ele, mas eu jamais saberia se era verdade. Não fazia sentido, eu deveria admitir, que ele soubesse. Para isso, deveria ter voltado no tempo. Eu beijei o seu rosto, sem saber o que esperar, mas sem o medo que tinha no começo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Só mais um cigarro e você.


Minha mão na dele e eu sabia que era ali que deveria estar. Sentados a beira da praia, sem motivo nenhum para não nos aproximarmos. Minha maquiagem já estava acabada e eu havia perdido todas as presilhas que colocara no meu cabelo mais cedo naquela noite. E o imenso mar a nossa frente me faz sentir tão pequena perto de sua grandeza e tão grande por tê-lo encontrado.
Era quarta-feira a noite e, confesso, não era do meu feitio sair no meio da semana para dançar ou beber. Aliás, não era bem meu perfil sair. Mas algo naquela noite incomumente quente de inverno me fez ir sozinha para a beira da praia. Talvez num ato insano. Talvez fosse o que eu sempre houvesse querido fazer. Fui sozinha, embora dissessem que era meio deprimente, naquela hora não me importava. Coloquei um daqueles meus vestidos que me faziam parecer uma garota do século passado e me maqueei, como se fosse realmente encontrar alguém. Mas não ia. Encontrei alguns amigos, mas queria mesmo extravasar, ficar sozinha e esquecer do mundo, de todos. Estava tudo absolutamente arruinado, mas não era bem minha intenção pensar naquilo. Fui ao bar e pedi que me trouxessem uma tequila. Já estava bem melhor. Depois de mais algumas doses e de dançar por horas sem parar, resolvi me afastar das pessoas, acho que pensei em conseguir pensar, sem sucesso.
Especialmente mais distraida do que em outros dias eu não o vi aproximar-se. Olhava diretamente para o mar e simplesmente não notei que ele sentara do meu lado. Na verdade, não tinha nem ao menos a certeza se o conhecia. Ele parecia tão bebado quanto eu estava, embora não gostasse de admitir isso. 'Boa noite' Ele me disse, mas eu ignorei, pois não tinha certeza se era comigo. Repetiu umas 3 ou 4 vezes, até que me chamou pelo meu nome. 'Ah, oi...' E acho que foi uma das piores expressões já feitas por mim. Precisei me esforçar para aquilo. 'Você não se lembra de mim, né?' Era como se ele sentisse dor ao falar... 'Sinceramente, não' Não era só com ele, eu não lembrava nem direito meu nome até ele falar. Ele insistiu na conversa até que eu resolvi escutá-lo.
Algum tempo depois da conversa começada, ele foi embora e eu voltei para a pista. Embora não lembrasse de onde, eu sabia que o conhecia, de algum lugar, eu o conhecia. Aquele estilo não me era estranho e também não era normal. Parecia-se comigo, embora fosse bastante diferente. Eu tentava lembrar de onde, mas não obtive sucesso algum. Sei apenas que o queria por perto, embora ele tivesse voltado a me ignorar. Foi quando eu o vi se aproximar e, antes que eu pudesse protestar, seus lábios estavam nos meus, docemente os tocando e ele sussurrou, num tom abaixo do normal 'Vamos lá para fora.' E eu não briguei, simplesmente fui.
Sentados na areia, rindo como se sempre estivessemos nos conhecido, contando segredos um ao outro, trocando olhares e beijos. Não poderia imaginar, quando sai de casa, que encontraria alguém capaz de consertar em questão de horas o estrago que era meu coração. Suas mãos seguravam as minhas numa intimidade anormal até para casais de longa data e minha cabeça estava apoiada em seu ombro. Nós sorríamos, em silêncio, sem perceber que o faziamos. Dessa vez fui eu a falar 'A noite está, de fato, deslumbrante' Ele concordou comigo, embora não soubesse que havia me referido a ele e não a Lua ou as estrelas do céu. Elas eram, hoje, insignificantes. Eu fechei os olhos novamente, com medo de acordar.
Até hoje não se sabe aonde estão, pra onde foram. Alguns dizem que os dois viraram estrelas, outros dizem que foram separados, apenas pelo prazer que lhes era conferido o reencontro. São apenas histórias. Para mim eles continuam por aí, andando juntos, tocando-se eventualmente. Na doce ilusão que é amar.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Um sentimento.

A maneira como eles trocavam olhares entregava tudo que tentavam esconder até de si mesmos. Simplesmente por algum motivo que suas prórpias mentes desconheciam não conseguiam admitir que talvez estivessem de fato apaixonados. Agora eu ouvia dizer que eles evitavam se tocar para que não sentissem as mil e uma sensações que o amor provocava neles. Já não se viam para evitar a troca de olhares, parecia que eles queriam fugir do que lhes acontecia. Bobagens, não há como fugir do que todos podem ver.
Na verdade, não há como fugir do melhor sentimento que existe. Que enlouquece, que te faz parar de fazer sentido, que faz querer correr, tentar escapar, mesmo sabendo que a luta será vencida sempre por ele. O único sem explicação cabível, que resume todos os outros em si. A essencia de nossa existência, mesmo para quem diga que não há o amor. Afinal, o que seria de você sem ele? Pense bem, não há como não explicar outras sensações se não a partir do não explicado amor. Por que negar o mais nobre de todos eles? Bem, podes até tentar, se tiver sucesso só não compartilhe com os outros o caminho da fuga porque sem amor o mundo não seria nada.
Já imaginou-se não sentindo arrepios com o andar de mãos dadas ou então o vazio que seria não ter seu coração descompassado com apenas um sorriso? Não precisa ser assim, é verdade. Mas todos nós, de alguma forma, sempre procuramos ser dignos de que alguém nos diga as três palavras. E então as borboletas tomarão conta de ti e o mundo girará mais devagar. Tudo parecerá ser eterno, mesmo que não dure nenhum segundo. O que importa é que tu sabes que pode amar! E, na verdade, não importa quantas vezes nos decepcionemos, quantas vezes tenhamos nossos corações partidos ou o quão complicado seja conviver com a ideia de que a qualquer instante o amor pode te alcançar e te pegar desprevenido, não te dando oportunidade nem de começar a corrida em que todos nós saimos perdendo, ou por conseguir evitá-lo ou por nos rendermos a ele. Nada disso importa porque sempre buscamos, todos nós, alguém para quem possamos olhar nos olhos e dizer: Eu te amo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Três, dois, um...


Afinal tudo em nossa vida acaba por ser uma contagem regressiva. Mesmo que não cronometremos o tempo sempre parece passar descompassado. Às vezes tão rapidamente que não somos capazes de percebe-lo, outras vezes devagar demais para que acreditemos que passou. Normalmente a primeira das situações acontece quando gostaríamos que o momento congelasse, para que pudessemos decorar cada detalhe do que nos ocorre. Mas isso está, também, fora do nosso alcance. Acontece quando queremos um perfume pra sempre, um olhar eternamente, um sorriso repetido, um abraço e apenas ele. E aí ele simplesmente se vai e te deixa sem nada. E os momentos são como a correnteza de um rio, que jamais será o mesmo novamente. Não importa quantas vezes tu olhes, não importa quantas vezes ele possa parecer o mesmo... A água que ali corre já não é mais a mesma, assim como você também, certamente, mudou. A verdade é que nada é estático. E eu gosto da ideia de mudanças constantes, mesmo que elas sejam imperceptíveis no começo. No sentido contrário há aqueles momentos que tu darias tudo para que terminassem e esses se estendem pelo que parece ser a eternidade. São aquelas lágrimas que correm pelo seu rosto em momentos inoportunos ou o final daquele amor que tu julgavas ser para sempre.

Depois, ele passa e nos deixa para trás... Sem esperar que nos levantemos dos tombos, que nos orgulhemos de nossos feitos. Nós devemos sempre nos adaptar ao ritmo de algo que jamais vamos, de fato, entender. Ainda assim, todos nós jogamos com as horas. Sem saber quando será nossa hora de cair, levantar, sorrir, chorar, vir e ir... Simplesmente não nos é dada a chance de estatizarmos um instante, se não em nossa memória. Mas ao abrir os olhos as lembranças nos deixam... Serão elas também traiçoeiras e sempre nos deixarão ou isso cabe a nós escolher?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Upside Down.


Você já se sentiu como se seu mundo estivesse sendo posto de cabeça pra baixo e mesmo assim quisesse descobrir o futuro? Não por adiantar as coisas, mas vive-las como nunca fez antes, prestando atenção sem ser atento, pelo simples fato de não serem ignoráveis seus novos hábitos. Estes que, por sua vez, mudam sem que percebas e te fazem querer mais e mais do que tens por perto de ti agora. Você já se sentiu como se não pudesse prever minimamente o que estava parado bem a sua frente e que te encarava? Mesmo que olhasse profundamente nos olhos do inesperado, dele nada poderias querer se não surpresas e a garantia de que jamais saberia com o que estava lidando. Sem ter o controle do seu próprio mundo em suas mãos, deixá-lo caminhar por si só e acompanhá-lo, fazendo do teu caminho o mais exclusivo que jamais pudestes imaginar...

É estranho, não menos novo saber que estou indo para um lugar desconhecido e mesmo assim não ter medo do que está por vir. Mesmo assim, ansiar por isso. Acho que cada pessoa talvez saiba um pouco do que eu estou falando... Daquela velha história de crescer. Mas dessa vez é diferente. O turbilhão de sensações e sentimentalismos vindo ao mesmo tempo em minha direção. Acabar a única parte que conheço de minha vida para mergulhar em um mundo que será diferente do que eu tenho agora. Quem sabe que segredos estão prestes a serem revelados e quais deles perderão completamente seu antigo valor? Não há a quem pedir ajuda... Por mais que me falem os que já passaram por isso, as palavras não chegam perto do que eu sei que vou sentir a partir de agora. Embora não saiba o que será. Pela primeira vez, posso dizer, sei que arriscar é o melhor a fazer e espero pelo momento certo de fazê-lo, mesmo que saiba que nenhum momento será certo o suficiente quero poder errar. Não pretendo, dessa vez, planejar cada uma de minhas atitudes e também não quero que alguém faça isso por mim. É simples como respirar e tão complicado quanto o acelerar de nossos corações. Eu nunca gostei da idéia de mudar, mas dessa vez não é bem assim... Espero, quero, desejo, é simplesmente complicado. E mergulho em direção a escuridão, sem saber onde o caminho alternativo me levará. Seguro a mão dos antigos amigos e encontro novos amores, eles estão ali, ao meu lado, talvez não tão assustados quanto eu, mas a respiração acompanha a minha: descompassada. Nossas histórias estão sendo sacudidas e nós, sem dúvida, gostamos do balanço!

domingo, 13 de setembro de 2009

Começar de novo.




Bem, no meio dessa confusão em que todos nós vestibulandos nos encontramos, cheguei a uma conclusão simples: era melhor ter um lugar onde me esconder e fazer com que entendessem tudo que eu penso, ou quase tudo. Pensei em continuar um blog que já tinha há algum tempo, mas foi deletado (que amado), então, tive que começar um novo. Não espero mover alguém com as palavras que escreverei, não espero que mude alguma coisa. Apenas precisava falar... O mundo está de cabeça para baixo.