domingo, 14 de fevereiro de 2010

Deixa eu brincar de ser feliz.


A fantasia já completamente desfeita era apenas um sinal de que não conseguira terminar o que viera fazer. A maquiagem estava borrada, os olhos manchados indicavam horas e horas de choro por não ter atingido seu principal objetivo. A sala vazia, com as cadeiras viradas e bagunçadas. Nas mesas alguns copos vazios outros pela metade. Mas nenhum deles estava meio cheio. Não ali. Olhou sua bermuda, ela desfiava. Os joelhos e os pulsos estavam marcados, fazendo questão de lembrar-lhe que não tinha sido do jeito que achou que seria. Devia ser o cansaço, a exposição ao fracasso. O cabelo desgrenhado não estava como em outras manhãs, até nele havia um pouco de sofrimento. Os fios mal cortados faziam com que sua imagem fosse ainda mais inaceitável aos que podiam o ver. Mas o salão estava vazio. Ninguém nem sequer lembrava de quem era ali, largado no canto. Confetes, serpentinas. Molhados do choro de um alguém que queria ser mais do que era. Olhou suas mãos e até mesmo elas estavam machucadas, escondiam um mistério. A lembrança do que haviam sido sorrisos, das bebedeiras, das companhias pouco duradoras. Não, não era suficiente. Ele queria ser mais. No entanto, não havia maneira de conseguir. Havia chorado, implorado, se maltratado. Definitivamente, não gostava do que era. Se levantou do chão onde estava jogado. Já era quarta feira e isso indicava que a magia havia acabado. O Carnaval olhou-se no espelho, lembrando do que era, lembrando que jamais passaria daquilo: limitado a 5 dias cheios de pessoas bebadas e lembranças que, para elas, estavam embaçadas. Secou sua última lágrima daquele ano e se foi. Sem nem ao menos deixar saudades. Afinal todos tinham a certeza de que no ano seguinte, ele voltaria.

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