sábado, 3 de outubro de 2009

Sem promessas.


Eu revirei minha bolsa em busca de mais um cigarro. Àquela altura eu já estava sentada na calçada e precisava de algo que me esquentasse. Nada melhor do que aquele glamour decadente. Minhas mãos trêmulas não conseguiam encontrar o que eu procurava. Assim como haviam perdido tantas outras coisas naquela mesma noite.

Eu tentava lembrar de tudo que vinha acontencendo desde as cinco da tarde, quando eu comecei a beber. Mas não tinha sucesso algum. Eu lembrava apenas de estar em cima da mesa, dançando, em um instante e no outro nos braços de três ou quatro homens, tentando arrancar minhas roupas. Eu não queria fazer aquilo. Não ali. Chutei uns e outros e sai, precisava respirar. Lembro quando eu fumava mais um de dois maços que já havia fumado aquela noite e eu sabia que já estava acabada, mas, mesmo assim, um loiro veio em minha direção. Lembro que com ele, qualquer lugar era lugar. Eu sentia seu desejo em suas mãos, a apertar minha cintura contra a dele. Uma. Duas. Três vezes. Ele conhecia cada um de meus pontos fracos e eu não tinha forças para brigar com ele. Nem queria fazer. Eu sabia que ele vinha de algum lugar, talvez de mais um de meus sonhos alucinógenos ou mesmo de uma de outras noites. Ele sabia como dizer meu nome, sussurrado, e eu nem havia precisado dizê-lo qual era. Diferentemente dos outros daquela mesma noite, ele não era só mais um com quem eu acordaria. Não chegaria a dormir com ele e isso fazia tudo ainda melhor. De novo, me sentia sufocada e mandei-o seguir para onde quer que fosse. Estava sozinha, por opção.

Finalmente. Achei o que era provavelmente o ultimo deles. E com a habilidade não natural para mim, acendi. Dei uma longa tragada e fechei os olhos, deixando que a fumaça tomasse conta de mim. Um sorriso travesso tomou conta do meu rosto. Embora já houvesse quebrado essa regra tantas outras vezes, era diferente agora. Havia sido diferente desde que o sol havia se posto, na tarde anterior. E agora eu me levantava, sem rumo e isso não importava. Encontrei alguns conhecidos, esbarrei em antigos amores. Mas sabia que queria chegar na praia, embora qualquer coisa naquele momento me distraisse. Eu perdera a conta de quantas doses de tequila eu havia tomado... Cinco ou seis. Fora o whisky e a vodka. De fato, eu não me lembraria de nada. Apenas de que havia sido a melhor noite da minha vida. O cigarro acabou e joguei o que restava no meio fio. Eu senti a brisa vinda do mar bater em meu rosto e o cheiro da maconha trazido por ele me fez lembrar que havia me encontrado com ela, há algumas horas. Eu ri como uma boba e atravessei a rua, sem me importar se vinham carros. Meu vestido já estava completamente sujo e meus sapatos de marca já estavam acabados. Quase fui atropelada por um ou dois carros. Mas eles pararam, para minha sorte. Passei correndo pelos sobreviventes da noite e o sol já apontava no horizonte. Tropecei, mas continuei até sentir as ondas em meus pés. Não pensei duas vezes, entrei no mar e mergulhei. Fiquei lá em baixo por tempo demais.

Eu não acordaria mais, não teria mais nenhum cigarro ao meu alcance. Nada. Mas eu entendia. Aquela noite havia valido toda a minha vida e agora, as cortinas haviam se apagado e o mar me envolvia, como nenhum outro homem jamais fizera antes.

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