domingo, 27 de setembro de 2009

Um mais um é melhor que dois.


A encruzilhada. Lá estava ela, mais uma vez esperando a minha escolha. Como eu poderia ter certeza de tomar o caminho certo? Me sentei, sem realmente me importar em perder um pouco mais de tempo, afinal, não havia ninguém a me esperar. Ou ao menos assim eu pensava que fosse. A árvore aonde eu me encostara estava carregada de diferentes frutas. Nunca tinha visto uma assim antes. Depois de um tempo à sombra, ouvi passos vindo em minha direção, embora não soubesse a sua origem, mas não abri os olhos. Vai passar direto, eu pensei. Mas não passou. Parou bem a minha frente e ficou a me encarar. Eu não precisava olhar para saber que o fazia.

Depois de um ou dois minutos sentou-se ao meu lado e então eu ouvi a sua voz. Era conhecida. Não está na hora de você escolher um caminho? Embora eu achasse que poderia ignorá-lo, resolvi não fazer. A voz era simpática. Na verdade, acho que posso ficar aqui. Não era como se alguém fosse sentir minha falta, no futuro. Ele riu, como se soubesse exatamente do que se tratava. E então me beijou os lábios. Tive que abrir os olhos para conferir quem era. Ele me sorria, e disse do jeito que só ele sabia fazer. Deixa eu te levar, por favor? E como eu recusaria? Me levantei e esperei que ele escolhesse, mas não o fez. Deixou que eu escolhesse, mas ficou, todo o tempo, parado ao meu lado, esperando que decidisse. Vai me levar para o mau caminho agora? Essa deveria ser a ideia dele porque ele riu, mas nada fez. Ele depois admitiu que aquele era a escolha dele, com ou sem mim. Isso, de fato, me preocupava. Não sabia se era o caminho certo, mas, sem dúvida, seria divertido descobrir.

Ele me beijou novamente e me fez sorrir como uma boba, mas ele não sabia que podia fazer isso, então escondi. As estrelas brilhavam no céu que estava lotado delas. Devemos estar longe da cidade, eu pensei. A manhã nos alcançava e caminhávamos em direção ao que não sabíamos. Ou pelo menos era assim para mim, ele parecia saber demais. Até mesmo saber que eu faria aquela escolha e que seguiria com ele, mas eu jamais saberia se era verdade. Não fazia sentido, eu deveria admitir, que ele soubesse. Para isso, deveria ter voltado no tempo. Eu beijei o seu rosto, sem saber o que esperar, mas sem o medo que tinha no começo.

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