
Eu a ouvi chamar de novo. Mas não havia ninguém atrás de mim. Perdia o fôlego em meio aos meus ataques cada vez mais comuns. A voz, de novo. Ela sussurrava, como se quisesse que só eu a ouvisse: Corra. A voz ainda me assustava. E então outra delas, um pouco mais grossa que a primeira: Não olhe para trás. Eu queria gritar, queria me jogar no chão e ficar ali, encolhida, esperando que elas fossem embora. Era sempre assim. Eu vi um vulto passar por mim. E uma nova voz, celestial: Não os obedeça. Levei as mãos a cabeça, e rezei. Agora eram muitas delas, me pedindo coisas, me dizendo coisas, mandando em mim, me contando segredos. Eu já não entendia mais nada. Cai no chão, eu tremia e gritava. Chorava, mas não saia lágrima alguma. Os vultos. Eram milhares. Alguns desesperados demais, outros incomumente tranquilos, ainda haviam aqueles apenas distraidos. Meu grito desesperado e continuo não era provavelmente ouvido por muitos. A altura das vozes aumentava, os vultos se aproximavam e eu podia quase reconhecer cada um deles, mas estava perdida em meus próprios pensamentos, a beira de um ataque de nervos, em meio a um ataque de esquizofrenia. Mais um de meus delírios.
De repente, tudo silenciou. Não haviam vozes. Não haviam vultos. Nada. Apenas eu, um quarto escuro e todo o desespero, agora escondendo-se aos poucos, de que tudo começasse de novo. E começaria.

Adorei o texto. Parabéns!
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