quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Desire.


Eu podia sentir a segurança de suas mãos que atravessavam meu corpo, como se conhecessem cada lugar onde tocar para me fazer perder um pouco mais da quase nenhuma consciência que insistia em permanecer ali. Eu queria perdê-la, se ia me doar aquele homem, era justo que perdesse toda minha sanidade.

Ele tocou minha nuca e apertou seu contorno contra o meu, como se quisesse terminar com o espaço que havia entre nós. Não tive tempo de brigar, era incrível o modo como ele era capaz de me fazer querer mais e mais. Mordi seu lábio inferior, com cuidado, como se pedisse para que ele continuasse o que estava fazendo. E ele repetiu. Uni todas as minhas forças para que meus lábios alcançassem os dele e subi minhas mãos pela lateral de seu corpo, ele se arrepiou, perdeu o fôlego. Mas não parou o que insistia em fazer. Suas mãos passeavam pelas minhas costas, como se quisessem desvendar algum segredo. Ele estava mais perto de descobrir o maior deles, maior do que poderia imaginar, do que eu poderia imaginar. Desceu as mãos até a minha cintura e, cuidadosamente, passou os dedos de leve por ali. Eu gemi. Ele sorria maliciosamente, triunfante. E eu perdia o controle de meus movimentos, a aproximação dele era tão ágil e irresistivel que não tinha como pará-lo. Não agora.

Ele fazia tudo da forma mais perfeita possível e eu sentia nossos corpos em sintonia. Não havia mais como diferenciar a fragrância de nossos perfumes, misturados assim como nós, naquela noite quente de outono. De repente, ele parou tudo que fazia e sorriu, pediu que eu abrisse os olhos e eu o fiz. Tudo para que ele começasse, de novo, a me desconcentrar.

Meus seios em suas mãos, seus lábios passeavam por todo o meu corpo. Já não importava que horas eram lá fora, quantas pessoas existiam no mundo. O desejo entre nós era tudo que nos importava. Eu precisava dele, naquele instante, tanto quanto ele precisava de mim. Ele me beijava, como se eu fosse a única para ele. Mas eu não o conhecia o suficiente para saber se era assim. Também não importava. Meus punhos fechavam conforme ele reconhecia os meus pontos fracos, e meus olhos não paravam de se revirar. O tempo corria e o calor de nossos corpos, tão unidos e sem nada a separá-los. Nossas roupas que antes evitavam o toque completo entre eles, estavam agora no chão de seu quarto, espalhadas, fazendo daquela noite a melhor de nossas vidas.
Eu acordei, no dia seguinte, em seus braços, seus dedos passeavam pelas minhas costas e ele sorria, satisfeito por eu estar ali. Ouvia, agora, a chuva indicando que a noite, para a maioria das pessoas tinha sido fria. Sorri para ele, ainda sonolenta e o senti ainda mais perto agora. Peguei a xícara de café que estava ali e dei um longo gole, me sentando para isso. Procurei o maço de seu Camel e acendi um deles. Dei um longo trago. Um amor, dois cafés e outro cigarro.

Um comentário:

  1. Gostei bastante. Eu gosto da forma que você descreve o ambiente e a situação. Seu forte, de fato, é a descrição. Envolvente e objetiva. Bom texto.

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